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Controlando as complicações do diabetes

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Como você já deve saber, controlar o açúcar no seu sangue é importante para evitar hipoglicemia e hiperglicemia – níveis baixos e altos de açúcar no sangue.

Mantendo o açúcar no seu sangue na sua faixa-alvo, você pode atrasar ou evitar complicações a longo prazo. A hiperglicemia pode danificar muitas partes do seu corpo, incluindo olhos, coração e dedos dos pés. A boa notícia é que você, junto com seu médico, pode conseguir reduzir ou até mesmo evitar o impacto das complicações do diabetes na sua vida.

Essas páginas relacionam algumas das complicações mais comuns relacionadas ao diabetes, seus sintomas e tratamentos, e algumas recomendações que o seu médico pode fornecer para ajudá-lo a reduzir o risco.

Diagnóstico precoce evita complicações

O tempo passa muito rápido, ainda mais por conta das inúmeras atividades ao longo do dia. No entanto, a maratona diária não pode ser uma corrida contra o tempo na tentativa de realizar, em apenas 24 horas, tarefas profissionais e pessoais. Não por acaso, muitas vezes nos esquecemos de cuidar da nossa saúde, que é vital para darmos continuidade a essa rotina dinâmica.

Quantas vezes lembramo-nos daquela consulta com especialista adiada há meses ou até do exame solicitado pelo especialista que teimamos em não agendar. As pessoas com diabetes precisam achar uma brecha na agenda para se preocupar com estas questões. Um dos profissionais que deve ser procurado regularmente é o nefrologista, especialista em diagnóstico e tratamento clínico das doenças do sistema urinário, especialmente o rim.

As pessoas com diabetes devem se preocupar com uma complicação chamada Nefropatia Diabética. Para falar sobre o assunto, o Portal Accu-Chek entrevistou a nefrologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dra. Adriana Nazaré Castro da Silva.

Accu-Chek:Quais são as funções dos rins?

Os rins são órgãos que funcionam como “filtros” que permitem a eliminação de substâncias tóxicas produzidas pelo próprio organismo, ao mesmo tempo em que bloqueiam a perda de substâncias essenciais ao equilíbrio do organismo (como água, eletrólitos e proteínas). Além disso, os rins participam no controle da pressão arterial e mecanismos relacionados à anemia e à formação dos ossos.

Accu-Chek:O que é a nefropatia diabética?

A nefropatia diabética é uma das complicações tardias do diabetes mellitus, frequentemente acompanhada por hipertensão arterial e alterações na retina. Caracteriza-se por uma perda de proteína na urina, denominada de microalbuminúria, da ordem de 30 mg/dia ou superior. No Brasil, constitui a segunda causa mais comum de doença renal crônica.

Accu-Chek:Como ocorre o processo no organismo das pessoas com diabetes?

O processo pelo qual os rins são afetados pelo diabetes é bastante complexo. Basicamente envolve o mau controle glicêmico desencadeando uma série de reações bioquímicas que acabam por provocar danos nos vasos renais e a perda de proteínas pela urina (microalbuminúria). Se medidas específicas não forem tomadas, a microalbuminúria progride para macroalbuminúria (>300 mg/dia). Neste estágio, cerca de 75% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 20% dos pacientes tipo 2 irão apresentar falência dos rins após um período de cerca de 20 anos de evolução.

Accu-Chek:Quais são os sintomas?

Infelizmente os sintomas da nefropatia só ocorrem em fases bem avançadas da doença, quando surge edema (inchaço) nas pernas e que posteriormente pode se tornar generalizado, urina com espuma, cansaço, fraqueza, náuseas e outros. O diagnóstico precoce só é possível por meio de exames laboratoriais.

Accu-Chek:Quais são os exames para o diagnóstico?

O exame padrão para diagnosticar a nefropatia diabética é a microalbuminúria. Apenas o exame de urina I não é suficiente para o diagnóstico. Nos pacientes com diabetes tipo 1, este exame deve ser realizado cerca de cinco anos após o início do diabetes, ao passo que em pacientes com diabetes tipo 2 deve ser realizado no momento do seu diagnóstico. Como existem diversos fatores que interferem no resultado deste exame (por exemplo, exercício físico, febre, infecções, etc), considera-se o diagnóstico de nefropatia diabética quando dois de três exames realizados num período de 3 a 6 meses forem positivos. Após isso, deve ser realizado anualmente ou conforme avaliação do seu médico.

Os outros exames laboratoriais relacionados à função renal (como uréia e creatinina) só sofrem alteração em fases mais tardias da doença e, portanto, não são utilizados no diagnóstico precoce da nefropatia diabética.

Accu-Chek:Quais são os tratamentos?

O tratamento da nefropatia diabética consiste basicamente no controle rigoroso da glicemia, associado ao tratamento da hipertensão arterial com medicações que, além de controlar a pressão arterial, também bloqueiam especificamente a microalbuminúria desde os seus estágios iniciais. Além disso, outras medidas, como controle dos níveis de colesterol e triglicerídeos, controle do peso, eliminação do tabagismo, são importantes no tratamento desta condição clínica.

Accu-Chek:Quais as opções de tratamento para o paciente com diabetes e doença renal crônica (DRC)?

Na DRC terminal (ou estágio 5), quando a capacidade de filtração dos rins é inferior a 10 ml/min, as opções de tratamento são diálise ou transplante renal. Na diálise, as toxinas acumuladas no sangue e o excesso de líquido são retirados por meio da passagem do sangue por uma máquina (hemodiálise) ou por trocas através da cavidade abdominal (diálise peritoneal). Em pacientes com diabetes, esta indicação pode ocorrer mais precocemente com a capacidade de filtração em torno de 15 ml/min. Em pacientes com diabetes tipo 1 com DRC, a opção mais indicada é o transplante simultâneo de rim e pâncreas, embora existam outras opções como o transplante de pâncreas isolado, o transplante de pâncreas após rim e o transplante de ilhotas. A melhor opção de tratamento depende da condição e da indicação clínica de cada paciente.

Accu-Chek:Quais são as recomendações para pessoas com nefropatia?As recomendações basicamente são o adequado controle das condições clínicas associadas como a hipertensão arterial, a dislipidemia, a obesidade, o tabagismo além do rigoroso controle glicêmico. Não existem evidências concretas com relação à redução da ingestão de proteínas nesta condição, no que se refere a progressão da doença renal.   A detecção precoce é realizada por meio do exame microalbuminúria que pode retardar a progressão para as formas mais graves da doença. Nos pacientes com diabetes tipo 1, este exame deve ser realizado cerca de cinco anos após o início do diabetes, ao passo que em pacientes com diabetes tipo 2 deve ser realizado no momento do seu diagnóstico.

Accu-Chek:Há algum comentário a ser acrescentado?

É recomendando que os pacientes com diabetes recebam acompanhamento multidisciplinar. O papel do nefrologista visa à realização de um tratamento conservador adequado, evitando assim a necessidade de procedimentos dialíticos de urgência, e a preparação para um possível transplante.

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