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Você no controle do diabetes

Estar de bem com a vida depende muito de uma atitude pessoal. Afinal, está em nossas mãos realizar ou não as boas recomendações para viver com mais saúde, principalmente quando o diabetes está em questão.

E uma das boas recomendações, tanto para quem possui diabetes tipo 1, tipo 2 ou diabetes gestacional, é a automonitorização da glicemia. Vários estudos* já mostraram que o hábito de medir a glicemia rotineiramente gera maior conscientização das pessoas quanto ao tratamento e, como consequência, um melhor controle glicêmico. E isso significa muito na vida de quem convive com o diabetes, pois diminui a probabilidade de complicações originadas pela alta taxa de glicose no sangue e aumenta não só o bem estar físico, como também o bom humor.

Em geral, os valores de referência dos níveis glicêmicos são entre 70 e 110mg/dl e até 140mg/dl duas horas após as refeições**. Para o sucesso deste controle, o acompanhamento médico é essencial. Além de orientar a quantidade de testes de glicemia que cada pessoa precisa fazer ele fará um acompanhamento dos resultados e poderá, com base nessas informações, fazer os devidos ajustes no tratamento de seu paciente.

Um outro aspecto importante e que precisa ser considerado, segundo Mark Barone no livro Tenho Diabetes Tipo 1, e agora?, é variar o horário do teste, porque a glicemia pode não estar controlada exatamente nos horários que você está acostumado a fazer a medição. Antigamente se preconizava fazer testes de preferência antes das refeições, já que estes testes ajudam a saber se a insulina basal ou medicamento que está sendo administrado é suficiente, e também ajudam a decidir quanto tomar de insulina pré-refeição.

Para a pessoas com diabetes tipo 2, além da realização dos testes em horários diferentes, é necessário principalmente realizar automonitorização em jejum e antes do jantar. A fim de avaliar a eficiência do tratamento, é recomendável realizar os testes glicêmicos duas horas após das refeições. Isso irá ajudá-lo a entender a absorção dos alimentos e a necessidade de um melhor controle alimentar.

Principalmente para pessoas com tipo 1, os médicos recomendam uma metodologia chamada contagem de carboidrato que consiste em compreender o processo de absorção dos alimentos ingeridos o que reflete na elevação da glicose. Desse modo, tornou-se possível determinar quanto um certo número de gramas de carboidrato faz aumentar o nível de glicose no sangue, e compreender que essa relação varia de indivíduo para indivíduo e que até mesmo pode ser diferente dependendo do momento do dia.

Contudo, depois se percebeu que, em especial para quem faz contagem de carboidratos, medir somente nesses horários não é suficiente. Um bom controle depende de glicemias controladas na maior parte do tempo, não apenas antes das refeições. Assim, é possível detectar a ocorrência de hipo e hiperglicemias.

Por isso, é recomendável fazer os testes da glicemia em jejum, antes da alimentação, duas horas após a refeição, antes e após o exercício físico e quando há suspeitas de hipoglicemias ou hiperglicemias.

E para fazer a automonitorização há vários tipos de monitores glicêmicos no mercado. Um kit da linha Accu-Chek, por exemplo, vem com um monitor, um lancetador, 10 tiras de teste e 10 lancetas, o que já permite a realização dos primeiros testes. De qualquer forma, independente do modelo, os monitores de glicemia utilizam uma pequena gota de sangue para medir a glicemia em poucos segundos. É muito simples e rápido.

E para realizar cada teste, você usará apenas o monitor de glicemia, uma tira de teste e um lancetador, de acordo com as seguintes etapas:
        • Lave e seque as mãos. Usar água quente pode ajudar o fluxo sanguíneo.
        • Lancete seu dedo com o lancetador para obter uma gota de sangue.
        • Aplique a gota na tira de teste, conforme manual de instruções.
        • Aguarde alguns segundos para ver os resultados.
        • Descarte a lanceta e a tira de teste de maneira adequada.

O testes glicêmicos são fundamentais para o controle do dia a dia, mas não excluem os exames laboratoriais. É importante acompanhar além das taxas glicêmicas, outros índices que auxiliem o médico a saber se o organismo está respondendo corretamente ao tratamento. A Dra. Mariana V. Pereira Porciuncula, Médica Endocrinologista, explica “glicemia, hemoglobina glicada, colesterol, triglicérides, creatinina, hemograma, TSH, T4 livre, urina Tipo1, fundo de olho, são os exames mais indicados, porém pode haver outros dependendo de outras doenças associadas”.

A pessoa com diabetes bem orientada e com forte atitude interfere positivamente no seu próprio destino. Se a pessoa mantiver um bom controle glicêmico, fizer a atividade física e se alimentar adequadamente, além de realizar o tratamento correto prescrito, viverá muito bem com o diabetes, podendo exercer todas as atividades rotineiras. É preciso estar firme na vontade de viver com saúde!

*Um dos estudos foi realizado pelos Grupos de Educação e Controle do Diabetes do
Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP e do
Centro de Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Mais informações podem ser acessadas em http://www.diabetes.org.br/colunistas-da-sbd/debates/1314-estudo-brasileiro-confirma-eficacia-e-seguranca-do-controle-intensivo-do-diabetes

* Uma outra referência é "The role of diet behaviors in achieving improved glycemic control in intensively treated patients in the Diabetes Control and Complications Trial". Delahanty LM, Halford BN. Diabetes Care. 1993 Nov;16(11):1453-8

**Referência da Sociedade Brasileira de Diabetes

Tratamentos Alternativos: A eficácia está no auxílio e não na cura do diabetes

 Em todas as situações do cotidiano, é preciso ter calma, pensar primeiro, em viver bem cada momento. Seja paciente e sossegado com você mesmo. Pense em você acima de tudo.
Aquele, que abusa do dom da vida, perde minutos preciosos, abrevia o seu tempo na Terra. E os outros continuarão caminhando, rindo, chorando, estudando, trabalhando. Só você perderá com tamanha correria!
O que incomoda, deve ser ignorado. O que é demais, diminua o ritmo. O que te apressa, vá devagar. Se alguém te perturba, fuja dele. Faça o que te dá conforto. Aquilo, que não conseguiu terminar hoje, fará amanhã.
(Samuel Hahnemann)

Este trecho escrito em uma receita médica pelo fundador da homeopatia Samuel Hahnemann, em 1800, foi destinado para um paciente que já sofria de estafa. Ele já previa que as doenças poderiam ser antecipadas ou até geradas devido ao stress do nosso cotidiano.

A homeopatia foi criada há mais de 200 anos. Desde 1980, é reconhecida como uma especialidade médica no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, já há 15 mil médicos especialistas, sendo que 500 deles trabalham pelo Sistema Único de Saúde em 285 municípios.

Em outros países, como o Reino Unido, já há cinco hospitais homeopáticos. Na Alemanha e França, a homeopatia é um tratamento prescrito por 30% dos médicos e estima-se que nos EUA há 2,5 milhões de pessoas que utilizam a homeopatia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a homeopatia é o segundo tratamento médico mais utilizado no mundo.  

O tratamento se baseia na lei dos Semelhantes: o fator causador da doença é o mesmo que a cura. Nesse princípio, as substâncias existentes na natureza, de origem mineral, vegetal e animal, têm a potencialidade de curar os sintomas que são capazes de produzir. Ou seja, se uma pessoa ingerir doses tóxicas de uma substância responsável por apresentar sintomas como dores gástricas, vômitos e diarréia e um homeopata der a mesma substância preparada homeopaticamente a este paciente, haverá cura desses sintomas.

Segundo Ana Paula Pereira, sócia proprietária da Duopharma, farmácia de manipulação, “a preparação do medicamento segue o ensinamento de Hahnemann, que consiste em misturar uma pequena quantidade de uma substância específica em água e/ou álcool e agitar bastante. Este processo é chamado de dinamização ou potencialização do medicamento”.

Apesar da homeopatia ter sido criada há mais de 200 anos, são poucos os estudos que retratam a eficácia principalmente quando relacionada ao diabetes. “Sabemos que muitos destes tratamentos melhoram o lado emocional da pessoa, seja pelo atendimento médico ou por meio da ação do princípio ativo. Desta forma, acredito que as terapias alternativas chegaram para auxiliar o tratamento do diabetes, pois uma vez que o paciente está melhor emocionalmente, seus controles glicêmicos melhoram”, afirma a Dra Bibiana Prada de Camargo Colenci, endocrinologista do HC de Botucatu, município do interior de São Paulo.

“O glucagon e o cortisol, hormônios liberados pelo corpo que aumentam a glicemia, são diminuídos quando a pessoa tem mais equilíbrio emocional”, acrescenta Dra Bibiana. “Independentemente desse benefício, o tratamento tradicional não deve ser substituído. Nesses casos, acrescentamos ao invés de substituir”.

Outros tratamentos alternativos

Além da homeopatia, há outros tratamentos que muitas pessoas também seguem. Entre eles estão a fitoterapia e florais. “A fitoterapia é feita a partir dos extratos de plantas e atua diretamente na doença, já os florais são elaborados a partir de flores, plantas e acrescenta-se meioalcoolico ou não alcoolico. Este tipo de tratamento, assim como a homeopatia, visa ao equilíbrio energético do ser, alerta Ana Paula

“Há medicamentos fitoterápicos e florais que são hipoglicemiantes, ou seja, ajudam a reduzir a glicemia. Também podem atuar na redução da ansiedade e como calmantes no organismo”, acrescenta Ana Paula.

Além desses tratamentos, muitas pessoas acreditam na cura por meio do uso de plantas como carqueja, pata de vaca, batata yacón, entre outras. Dra Bibiana ressalta que “essas plantas são ricas em pectina, fibra não solúvel, e, por isso, realmente reduzem a glicemia, do mesmo modo que os efeitos da utilização do pó de casca de maracujá. Porém, temos de ter cuidado, porque as plantas têm milhões de outras substâncias, além daquela que é benéfica. Estas outras substâncias podem fazer mal, intoxicar ou lesionar algum órgão, por isso, não recomendo chá de folhas. Por outro lado, a batata yacón é rica em fibras e eleva menos a glicemia que as batatas comuns. Mesmo assim é um carboidrato que deve ser ingerido com moderação.”, explica a Dra. Bibiana.

“As terapias alternativas devem ser utilizadas como auxiliares, complementando o tratamento tradicional. Há relatos de casos de pessoas que param de aplicar insulina e resolvem tomar chá de folha de insulina. Este é apenas o nome da planta e não possui insulina alguma. O indivíduo fica sem insulina circulante e pode desenvolver cetoacidose diabética. Este quadro ocorre quando há falta de insulina no corpo e, portanto, não entra açúcar na célula. O açúcar serve como energia para nossas células. Sem ela, utilizamos ácidos que podem cair na corrente sanguínea, podendo ser fatal. Temos que alertar a população e utilizar estes tratamentos de forma que auxiliem o diabetes e não de forma deliberativa, sem trabalhos éticos, pois pode acarretar risco de vida”, recomenda Dra. Bibiana.

“Outro ponto que deve ser esclarecido é o da origem das matérias primas, que devem ser compradas em locais que tenham registro nos órgãos fiscalizadores, com controle completo desde a sua procedência até a entrega ao cliente. Pois muitas vezes, esses produtos não são produzidos da forma adequada, isso inclui fornecedores não fiscalizados, cultivos domésticos, entre outros, não garantindo a eficácia ou ainda podendo causar danos à própria saúde”, alerta Ana Paula.

Por isso, Dra Bibiana reitera a importância da utilização do tratamento tradicional. Os outros tipos de procedimento podem auxiliar no melhor controle emocional a fim de ter bons índices glicêmicos. Mas antes de qualquer iniciativa, é essencial procurar um médico de credibilidade, perguntar sobre a eficácia de determinado procedimento para saber se está no caminho certo. Como diz Dra Bibiana, “as pessoas devem se informar antes de iniciar uma terapia alternativa e terem consciência que não são milagrosas, pois muitos procuram milagres. As terapias alternativas são ótimas opções dentro de suas limitações e por isso mesmo devem ser feitas em conjunto com a terapia tradicional a qual o paciente já esta utilizando.”. 

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