
Quando um membro da família ou um amigo querido desenvolve diabetes, isso afeta a todos. Você quer fazer tudo que puder para ajudar seu ente querido a controlar o diabetes. Quanto mais souber sobre esta doença, mais poderá fornecer compreensão e apoio.
Aqui você pode aprender sobre o impacto físico, emocional e social que o diabetes tem em uma criança, adolescente ou adulto.
Os cuidadores desempenham um papel importante no controle do diabetes do membro da sua família. Você pode compreender melhor as necessidades dos seus entes queridos, e até mais do que eles próprios. Esperamos que esta área do nosso site proporcione a você o conhecimento para obter mais confiança na sua função.

"Se você não gosta do que está obtendo, mude o que está fazendo – depende de você ensinar as pessoas a respeito de como quer ser tratado. Culpamos o outro com muita frequência. Se uma sociedade não está dando certo ou se um relacionamento está indo mal, você também é responsável por isso. Se alguém descarrega tudo em cima de você, metade da culpa é sua". Este trecho é do escritor Andrew Matthews, no livro "Faça amigos".
Com os dizeres do autor, pode-se constatar que todas as escolhas levam a certos caminhos e temos de enfrentar todas as consequências de nossos atos. Muitas vezes não optamos pelo rumo mais correto e, outras vezes, escolhemos o caminho mais curto, que acabam por nos trazer mais dificuldades.
Assim, a humanidade evoluiu em descobertas científicas, inovou com a tecnologia, que também proporcionou mais facilidades para nossa vida. Mas nem sempre estas inovações trouxeram e trazem somente benefícios para os seres humanos.
Segundo o levantamento Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos no Brasil, feito com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/2009, por pesquisadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o brasileiro está comendo mal em casa. "Frutas e verduras, que deveriam corresponder de 9% a 12% das calorias diárias, representam apenas 2,8%. Açúcares livres equivalem a 16,4% das calorias, quando a recomendação é de 10%. Os alimentos essencialmente calóricos à base de óleos e gorduras vegetais, gordura animal, açúcar de mesa e refrigerantes, atingem 28% das calorias consumidas”, aponta o estudo.
Além disso, o levantamento destaca que houve aumento da participação no total de calorias de alimentos como pão francês (aumento de 13%), biscoito (10%), queijos (16%), refrigerantes (16%), bebidas alcoólicas (28%) e refeições prontas e misturas industrializadas (40%). Tiveram menor presença arroz (queda de 6%), feijões (18%), farinha de trigo (25%), leite (10%) e açúcar (8%).
Outro estudo, realizado pela American Diabetes Association (ADA), constata que há 50 anos o diabetes tipo 2 representava menos de 3% de todos os novos casos diagnosticados entre crianças e adolescentes. Hoje, nos Estados Unidos, ele é responsável por até 30 em cada cem casos. No grupo dos adolescentes, segundo estudo publicado no Journal of Pediatrics, a incidência do tipo 2 ultrapassa a casa dos 45% dos novos casos de diabetes.
Apesar de o Brasil ainda não ter estatísticas que documentam o número de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2, vários médicos já relatam que houve um aumento no número de casos, principalmente devido a fatores como sobrepeso e obesidade. De acordo com dados do IBGE e da organização Vigilantes do Peso, atualmente 15% dos brasileiros entre 6 anos e 18 anos já estão com sobrepeso; 5% são obesos e estes índices continuam aumentando, principalmente nas camadas menos favorecidas.
O endocrinologista do Hospital Albert Einstein, Dr. Daniel Lerário, explica as razões do aumento do diabetes tipo 2 em crianças: "todos os dados indicam que a aliança entre sedentarismo e má alimentação originam tanto a epidemia da obesidade quanto também a do diabetes".
Vera Lúcia Perino Barbosa, doutora em Ciências da Saúde e presidente do Instituto Movere, ONG que lida com crianças e adolescentes de baixa renda com sobrepeso e obesidade, também compartilha desta opinião em relação às causas que originam tanto a obesidade como o diabetes nos jovens. "Podemos citar os fatores genéticos, culturais, ambientais, falta de informação da população sobre a doença, pais que não reconhecem a obesidade dos filhos. De fato, o maior problema que enfrentamos hoje é a família reconhecer que a criança está obesa. Esta dificuldade se explica porque a maioria dos pais destas crianças também está acima do peso, o que dificulta essa percepção. Enxergar a obesidade em seu filho significa enxergar a obesidade em si próprio, e a necessidade de mudar os hábitos de toda a família", afirma.
O Dr. Daniel ressalta que "se na família houver predisposição genética a diabetes e obesidade e a criança estiver com sobrepeso e for sedentária, é necessário fazer um acompanhamento médico mais precoce para que não ela desenvolva a doença".
Agora, se o jovem for diagnosticado com diabetes, o endocrinologista faz algumas recomendações "precisa ter um acompanhamento multidisciplinar, incluindo médico, nutricionista e psicólogo. Além disso, precisa ter incentivo e apoio familiar para se tratar e conseguir superar a condição. Outro diferencial importante é buscar auxílio de associações de diabetes para receber informações e compartilhar a experiência com outras pessoas com diabetes. O envolvimento da família proporcionará um estilo de vida mais saudável para todos os membros", explica o Dr. Daniel.
"O profissional de nutrição buscará mais do que um cardápio para modificar os hábitos desta família; ele orientará a seleção e o modo de preparação dos alimentos. Já o educador físico poderá capacitar as crianças a realizarem atividades específicas para a perda de peso. E o psicólogo proporcionará às crianças e a seus familiares o restabelecimento da autoestima, da autoconfiança e do reconhecimento de si e do outro", acrescenta a Dra. Vera.
Livre arbítrio é a crença que defende que a pessoa tem o poder de escolher suas ações. Cada família tem a escolha de mudar ou não o estilo de vida para ter ou não uma vida mais saudável. Se a intenção de cada membro da família é ter longevidade sem complicação, então mãos à obra. A reação será uma vida plena e mais feliz!
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