
Estudos refletem que a variabilidade glicêmica ao longo do dia pode indicar se o sucesso do tratamento está sendo atingido
Para uma pessoa com diabetes é comum ter perguntas como “será que meu controle glicêmico está adequado? A minha hemoglobina glicada, ou seja, o exame de sangue que constata a média das taxas glicêmicas nos últimos três meses, está abaixo de 7%? Caso a resposta seja afirmativa, estou no caminho certo?
Porém, alguns estudos realizados a partir de 2008, tanto na Itália quanto na França, relatam que este parâmetro isoladamente não é suficiente para avaliar se o tratamento está adequado.
Os pesquisadores franceses Louis Monnier e Claude Colette, além da equipe do italiano Antonio Ceriello, publicaram dois artigos em revistas científicas que mostraram evidências concretas dos efeitos prejudiciais ao organismo em relação à variabilidade glicêmica. E segundo estes artigos, as grandes oscilações da glicemia, quando ocorrem com frequência, comprometem uma vida mais saudável da pessoa com diabetes e podem levar às complicações crônicas.
Para exemplificar estes dados, podemos citar que a variabilidade glicêmica mostra os picos e os vales da glicemia em uma pessoa com diabetes ao longo do dia. Se os valores glicêmicos variarem de 400 a 40 mg/dl no mesmo dia, a pessoa com diabetes estará suscetível a ter futuras complicações cardiovasculares.
Segundo o Dr. Augusto Pimazoni Netto, coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), “recentemente, constatávamos o fator de risco por meio da análise da hemoglobina glicada, que precisa estar abaixo de 7%. Depois dos estudos publicados em 2008, constatou-se que precisamos de outro parâmetro, o da variabilidade glicêmica. A oscilação ao longo de 24 horas não pode ser superior a 50mg/dl para não gerar riscos de complicações principalmente cardiovasculares”.
Atualmente, há vários recursos tecnológicos que possibilitam a verificação da variabilidade glicêmica ao longo do dia, através de sistemas e dispositivos de análise que permitem uma análise criteriosa dessa oscilação. Um deles é o Accu-Chek Smart Pix, um dispositivo que transfere os resultados do monitor de glicemia e Sistema de Infusão Contínua de insulina para o computador e permite a visualização das glicemias em forma de gráficos.
Dessa forma, a pessoa com diabetes visualiza os índices glicêmicos e entende como a alimentação, os exercícios físicos e a própria variabilidade glicêmica se interligam no organismo. Como resultado, pode-se saber como a glicose se comportou ao longo do dia e assim fornecer dados que contribuam para a adequação do tratamento e o bem-estar do indivíduo.
“Este conceito é novo e são poucos os profissionais de saúde que têm conhecimento do novo parâmetro. Conhecer o perfil glicêmico em todos os horários do dia de uma pessoa com diabetes auxilia na personalização do tratamento, ajustando principalmente os medicamentos. Dessa forma, a parceria médico-paciente está mais afinada para um melhor gerenciamento do controle do diabetes”, relata Dr. Pimazoni.
Para ter acesso a esses dados, a pessoa com diabetes deve sempre realizar todos os testes glicêmicos regularmente e disponibilizá-los ao médico para ajuste da variabilidade glicêmica. Assim, o sucesso de viver melhor com diabetes será uma garantia para exercer todas as atividades do dia a dia.