
Como você já deve saber, controlar o açúcar no seu sangue é importante para evitar hipoglicemia e hiperglicemia – níveis baixos e altos de açúcar no sangue.
Mantendo o açúcar no seu sangue na sua faixa-alvo, você pode atrasar ou evitar complicações a longo prazo. A hiperglicemia pode danificar muitas partes do seu corpo, incluindo olhos, coração e dedos dos pés. A boa notícia é que você, junto com seu médico, pode conseguir reduzir ou até mesmo evitar o impacto das complicações do diabetes na sua vida.
Essas páginas relacionam algumas das complicações mais comuns relacionadas ao diabetes, seus sintomas e tratamentos, e algumas recomendações que o seu médico pode fornecer para ajudá-lo a reduzir o risco.

“Deixa a vida me levar/Vida leva eu!/Sou feliz e agradeço/Por tudo que Deus me deu...”. O refrão da música de Zeca Pagodinho não reflete muito o momento que a sociedade vive. Sem planejamento, o ser humano não atinge as metas e as vitórias da vida, incluindo os sonhos de uma carreira de sucesso, uma casa própria, a construção de uma família, entre outros.
Para as pessoas com diabetes, há mais um desafio a ser conquistado todos os dias, o controle glicêmico. Dessa forma, antes de sair de casa, é necessário fazer um planejamento de como será o dia. Mas você sabe o significado de planejar? A palavra remete em pensar com antecedência os passos que serão dados no futuro.
As pessoas com diabetes precisam se programar para que possam ter uma rotina mais regrada, alimentando-se de forma saudável, utilizar os medicamentos recomendados pelo médico e, se possível, realizar alguma atividade física para auxiliar no controle glicêmico.
É claro que se o indíviduo aceita este conceito na vida, não quer gastar tempo e energia com coisas que estavam fora dos planos...mas as hipo e hiperglicemias são momentos que as pessoas com diabetes precisam aceitar e ter a oportunidade de transformar em autoconhecimento.
Um dos grandes desafios quando a pessoa é diagnosticada com diabetes é reconhecer os sintomas de hipoglicemias, ou seja, quando há queda excessiva do açúcar no sangue, ou seja, a taxa glicêmica é inferior a 70 mg/dL. Entre os principais sintomas, estão tremores, palpitações, sudorese, fome intensa, palidez, confusão mental, irritabilidade e sonolência.
Já para as pessoas que apresentam hiperglicemia, ou seja, altos níveis de açúcar no sangue, os sintomas são diferentes. Por exemplo, pode ocorrer aumento da frequência em urinar, perda de peso, fadiga, cansaço e desânimo.
Porém, muitas pessoas com diabetes sentem a intensidade desses indícios de forma diferente e há casos de indivíduos que são insensíveis a esses sintomas, principalmente quando estão hipoglicêmicos. A glicose no sangue reduz sem que haja sinal de aviso perceptível no corpo.
Maria Luzia Serraglio, publicitária e 19 anos com diabetes, conta que teve alguns episódios de hipoglicemias assintomáticos. “Em três ocasiões, estava dirigindo. No primeiro, estava parada no trânsito, comecei a acelerar e acabei batendo em um carro estacionado, sem ter consciência, continuei acelerando e empurrando o mesmo veículo. No outro caso, lembro que, antes de ficar inconsciente, olhei para uma loja de tecido e em seguida, quando me dei conta estava no pronto-socorro”, afirma.
No outro episódio, ela conta que havia saído da academia em direção ao trabalho, de Pinheiros a Vila Olímpia, e, de repente, sem conseguir mudar de faixa por falta de coordenação motora foi parar em Itapecerica da Serra. “Parei o carro e notei casca de banana no meu colo. Não me lembrava de ter comido a fruta e isso me fez retomar a consciência. Parei, senti muito medo e desespero de não reconhecer o lugar, e decidi retornar pela estrada até avistar um posto de gasolina onde pude perguntar onde estava e como voltar pra Marginal Pinheiros...”, lembra Maria Luzia.
O médico endocrinologista Márcio Krakauer explica que “pessoas com diabetes há mais de 10 ou 15 anos, com controle glicêmico indesejável e com variabilidade glicêmica, ou seja, com grandes oscilações de glicemia durante o dia, estão mais suscetíveis à redução dos sintomas de hipoglicemias”.
Para pessoas que injetam insulina, esses episódios têm mais probabilidade de acontecer. Segundo a pediatra endocrinologista Lidiane Indiani, “as crianças com diabetes também sentem como os adultos, mas a diferença é que muitas delas têm sintomas específicos, diferentes da maioria dos casos. Por isso, oriento os pais a repararem sempre no comportamento de seus filhos. Caso constatem algum tipo de sintoma diferente, é necessário fazer o teste glicêmico e, se for constatada a hipoglicemia, é necessário fornecer carboidrato simples à criança, como mel, açúcares, frutas. Outro fator peculiar é que as crianças costumam ter mais episódios de hipoglicemia, pois são menos resistentes à ação da insulina”.
Dr. Márcio recomenda que “para os pacientes que têm hipoglicemias durante o sono, oriento para ingerir um copo de leite integral para elevar a glicemia aos poucos, devido ao teor de gordura. Outra sugestão é monitorar a glicemia com mais frequência, o que reduz os episódios de redução de açúcar no sangue. Além disso, sugere tratamento com sistema de infusão contínua de insulina, também chamado de bomba, que proporciona a liberação da insulina no organismo em microdoses ao longo do dia”.
“Reduzi muito os momentos de hipoglicemia com a inserção da bomba, pois há fracionamento da insulina no meu corpo. Além disso, a variabilidade glicêmica também diminuiu. Os índices de hiperglicemias não ultrapassam mais de duas ou três horas no meu corpo, pois realizo mais testes também e assim corrijo os índices mais rapidamente”, adiciona Maria Luzia.
Para enxergar o mundo melhor, não se abatendo com os revezes da vida, precisamos sempre estar abertos às oportunidades que se abrem a cada momento. Conhecimento e experiência são essenciais para o nosso aprendizado. Lembre-se sempre que todo planejamento precisa de ajustes e, para isso, fique atento tanto às mudanças que o corpo requer como também para as escolhas de vida.
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