
Como você já deve saber, controlar o açúcar no seu sangue é importante para evitar hipoglicemia e hiperglicemia – níveis baixos e altos de açúcar no sangue.
Mantendo o açúcar no seu sangue na sua faixa-alvo, você pode atrasar ou evitar complicações a longo prazo. A hiperglicemia pode danificar muitas partes do seu corpo, incluindo olhos, coração e dedos dos pés. A boa notícia é que você, junto com seu médico, pode conseguir reduzir ou até mesmo evitar o impacto das complicações do diabetes na sua vida.
Essas páginas relacionam algumas das complicações mais comuns relacionadas ao diabetes, seus sintomas e tratamentos, e algumas recomendações que o seu médico pode fornecer para ajudá-lo a reduzir o risco.
O provérbio “O primeiro passo para a cura é saber qual é a doença” aplica-se realmente à pessoa que tem diabetes, pois, dependendo da enfermidade, os sintomas no organismo são diferentes, e a glicemia também responde de forma diferenciada. Quanto antes souber o diagnóstico, mais fácil será tratar e administrar as taxas glicêmicas.
Muitas vezes adoecemos quando o organismo está em desequilíbrio, quando o nosso sistema imunológico não está bem estabelecido e busca o restabelecimento. Nesse momento de baixa imunidade, surge algum tipo de doença que faz com que o organismo reaja e é restabelecido o equilíbrio no corpo.
O sistema imunológico tem como função reconhecer os agentes agressores e defender o organismo de sua ação. Entre as células desse sistema, há os glóbulos brancos, que são produzidos na medula óssea e estão presentes no sangue, têm a função de combater microorganismos causadores de doenças por meio de sua captura ou da produção de anticorpos.
Dr. Luis Eduardo Calliari, endocrinologista pediatra, explica o que ocorre no organismo quando há um quadro infeccioso: “o corpo reage por meio da fabricação de substâncias, como o cortisol, glucagon e adrenalina que fazem com que o corpo tenha mais resistência à insulina. Em pessoas que não têm diabetes, há um aumento compensatório da fabricação da insulina. Já nos pacientes com diabetes, na maioria dos casos, há a necessidade de aplicar mais insulina”.
Os hormônios glucagon, adrenalina e cortisol têm o papel de ativar a liberação de glicogênio, estocados no fígado, além de transformar outros nutrientes, como proteínas e gordura, em glicose, fazendo com que haja maior necessidade de insulina.
Mas é importante ressaltar que há diferenças de respostas do corpo com relação a infecções. “Febre, amigdalite, sinusite, pneumonia e otite tendem a aumentar a glicemia, devido à maior fabricação dessas substâncias. Já infecções gastrointestinais, com a presença de vômito e diarreia, a tendência é diminuir a glicemia, pois a pessoa não costuma se alimentar e, por fim, resfriados e gripes geralmente costumam manter a taxa glicêmica dentro dos parâmetros normais”, explica Dr. Calliari.
Essas diferenças são sentidas por Athayde Leite de Sá, biomédico, 29 anos, sete deles com diabetes tipo 1. “Quando tenho uma infecção viral, bacteriana ou até mesmo fúngica, minha glicemia geralmente fica bem alta. Se a infecção vier acompanhada de vômito e diarreia, minha glicemia cai”.
Athayde conta um caso em especial, “há algum tempo, tive de ser internado, pois, além da diarreia, vomitava também. Minha glicemia estava caindo direto e flutuava entre índices altos e baixos. Esse episódio aconteceu no dia do meu aniversário, em 22 de dezembro, em que fui internado e recebi a alta em 24 de dezembro. Só tive esses sintomas, pois comi uma maxixada, um prato típico do nordeste com carne seca, feita a base de carne seca, que estava estragada”.
Por isso, há algumas dicas importantes que o Dr. Calliari sugere nesses episódios: “solicitar auxílio de um médico em qualquer momento de dúvida, principalmente quando ocorrem em crianças. Se o quadro não tiver uma melhora entre um e dois dias, há necessidade de saber a causa da infecção, a fim de ser tratado com os medicamentos adequados, manter repouso, ingerir comidas leves e muita hidratação. No caso de crianças, elas precisam de alimentos mais pastosos para facilitar a digestão. Nestas situações, o mais importante é aumentar a frequência de monitorização da glicemia, já que esta medida vai informar ao paciente o que está acontecendo com seu controle”.
“Para pacientes dependentes de insulina, nos casos de aumento de glicemia, geralmente há aumento do consumo de insulina de ação rápida. Já em pacientes tipo 2, que não utilizam insulina, é necessário ter uma dieta mais balanceada, já que nem sempre é possível aumentar os medicamentos orais. Já para quem utiliza o sistema de infusão de insulina, há mais facilidade em aumentar a insulina basal e o bôlus”, relata Dr. Calliari.
Athayde também sugere algumas dicas: “é necessário manter a calma, medir a glicemia sempre que achar necessário ou quando notar algo diferente acontecendo. No caso de vômito, procurar o hospital mais próximo, pois o risco de hipoglicemia se torna mais evidente”.
Por isso, mudar para um estilo de vida mais saudável, evitar bebidas alcoólicas e fumar, realizar atividades físicas, dormir as horas solicitadas pelo corpo e manter hábitos saudáveis resultam no fortalecimento do sistema imunológico e da diminuição do aparecimento de qualquer tipo de infecção. Assim como diz Athayde, “temos de pensar no futuro e como queremos estar daqui a alguns anos, pois podemos retardar ou até mesmo evitar o aparecimento de complicações oriundas do diabetes!”.
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