
Cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo são portadoras de diabetes e há previsão de que 380 milhões de pessoas desenvolverão até 2025.1 Embora 4% da população mundial seja portadora de diabetes, 2 muitas pessoas sabem muito pouco sobre a doença.
Existem 2 tipos básicos de diabetes:
Um hormônio produzido nas células beta no pâncreas. O corpo utiliza insulina para deixar a glicose entrar nas células, onde é usada para obter energia.
Agora conhecida como diabetes do tipo 1. No diabetes do tipo 1 o pâncreas não produz insulina, ou produz quantidades extremamente pequenas. As pessoas com diabetes do tipo 1 precisam de injeções de insulina para viver.
Agora conhecida como diabetes do tipo 1. No diabetes do tipo 1, o pâncreas não produz insulina ou produz quantidades extremamente pequenas. As pessoas com diabetes do tipo 1 precisam de injeções de insulina para viver.
A escritora Lya Luft escreveu em um dos seus livros que “os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí, apenas para ser suportada, nem vivida, mas elaborada”.
O parágrafo escrito por Lya Luft realmente nos faz pensar que precisamos recriar nova vida todos os dias. Tecemos nossas histórias a cada pensamento, a cada ação que tomamos e o mundo reage diante das nossas atitudes. Quando somos diagnosticados com diabetes, podemos tomar alguns caminhos, se tecemos cair em depressão e não nos cuidarmos, poderemos ter complicações muitas vezes irreversíveis. Porém, se batalhamos por uma luz no fim do túnel, ou seja, se seguirmos as orientação dos médicos, nossa vida pode ser plena e vivida em sua essência.
É de conhecimento público que muitos estudos estão sendo realizados no mundo para melhorar a vida de quem tem diabetes. No Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes, realizado em Brasília, em outubro, algumas palestras focaram em novos caminhos para facilitar a convivência com a condição. Assim, o portal Accu-Chek conversou com o Dr. Carlos Eduardo Couri, endocrinologista e pesquisador da equipe de transplante de células-tronco da USP de Ribeirão Preto, que destacou um dos principais estudos sobre diabetes tipo 1 no país.
O diabetes tipo 1 é uma doença que podemos chamar de auto-imune, ou seja, o nosso sistema imunológico responsável pelas defesas naturais do organismo reage quando reconhece algum agente infeccioso. Assim, ataca esse vírus ou bactéria até destruí-lo. Por algum motivo ainda desconhecido, nas pessoas com diabetes tipo 1, o sistema imunológico resolve atacar as células produtoras de insulina no pâncreas. Por isso, esse processo é chamado de auto-imune.
Segundo Dr. Carlos, “as células β são destruídas e não há mais produção de insulina. Ninguém sabe o motivo pelo qual o sistema imunológico resolve atacar essas células. O que os pesquisadores relatam é que a possível causa é resultado 30% da genética e 70% dos fatores ambientais”.
“Em 2003, Dr. Carlos e o pesquisador Júlio Voltarelli começaram um protocolo de pesquisa chamado Transplante Autólogo de Células Tronco Hematopoéticas em pacientes com diabetes tipo 1 recém-diagnosticados.
“Naquele ano, a equipe começou os testes com o chamado ‘reset imunológico’, ou seja, fenômeno de desligar e ligar o sistema imunológico, como o que fazemos quando o computador trava. Para isso, fornecemos quimioterapia para desligar o sistema imunológico. Esse processo demora cinco dias e se reinicia com células-tronco do próprio paciente”, relata Dr. Carlos.
Essas células-tronco são chamadas de hematopoéticas e têm capacidade de regenerar um novo sistema imunológico. A pesquisa foi realizada em 25 pacientes de 13 a 31 anos. Como resultado, 21 deles pararam de usar insulina por um período. Desses 21, seis deixaram de usar insulina por 7 anos e 15 pararam de utilizar por um período somente de seis meses. Quando voltam a injetar, as doses foram bem menores. Em relação aos outros quatro pacientes, três deles tiveram cetoacidose, pois o pâncreas estavam em mau funcionamento e um dos pacientes precisou tomar corticóide durante a quimioterapia.
“Com esses resultados, descobrimos que havia células do sistema imunológico que não foram destruídas na quimioterapia. Por isso, neste ano, começamos um novo protocolo semelhante usando um esquema de quimioterapia mais agressivo, aprovado pelo Comitê Nacional de Ética e Pequisa da Food and Drug Administration. Serão incluídos somente pacientes recém-diagnosticados, pois ainda apresentam alguma produção de insulina que podem se reproduzir e reverter o processo de auto-imunidade”, afirma o médico.
Em paralelo, a equipe do Dr. Carlos iniciou outra pesquisa com célucas-tronco mesenquimais, responsáveis por regenerar tecidos e propriedades imunomoduladoras. “As células podem bloquear a auto-imunidade e regenerar as células β”.
Para isso, um parente do paciente precisa ir até ao centro de estudo, há uma pequena cirurgia para retirada de um pedaço da medula óssea. A equipe prepara material para que haja proliferação das células mesenquimais. Quando inseridas no paciente, estas migram direto para as células inflamadas no pâncreas.
“São oito infusões endovenosas, sem efeito colateral. Somente participam desse estudo pacientes recém-diagnosticado de 5 a 18 anos. Aplicamos a pesquisa em cinco pacientes, mas nenhum deles ficou livre de insulina. É um método mais seguro, pois não aplicamos a quimioterapia, mas ainda não tivemos a resposta adequada”, explica Dr. Carlos.
“As pesquisas estão evoluindo muito, mas ainda não há resposta definitiva para a cura do diabetes. Por isso, sempre falo que nenhuma terapia substituirá a educação em diabetes e hábitos de vida saudáveis”, alerta D. Carlos.
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