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Comportamento

Depois de diagnosticado o diabetes, nosso desafio é manter um padrão de vida saudável. Mas não é tão difícil como parece.

Aqui você vai conhecer e se identificar com histórias de quem superou as dificuldades iniciais e hoje tem uma rotina completamente normal. Aproveite para adotar dicas de alimentação e hábitos melhores. Novas descobertas são sempre bem-vindas.

Em busca da sexualidade plena: métodos contraceptivos

“As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar."
Leonardo da Vinci

Está chegando o Dia dos Namorados, comemorado, no Brasil, em 12 de junho, data em que muitas manifestações de amor serão realizadas por casais apaixonados. A celebração começou no país, devido a uma campanha realizada pelo publicitário João Dória, em 1949, sob a encomenda de uma loja na véspera do santo casamenteiro, Santo Antônio.

A comemoração do Dia dos Namorados, porém, tem sua origem na Roma Antiga, em 270 a. C, em que o bispo romano Valentino desafiou o imperador Claudius II a realizar casamentos em uma época proibida. Como consequência, Valentino foi preso e, enquanto esperava a sua execução, apaixonou-se pela filha cega de seu carcereiro e com um milagre recuperou sua visão. Antes do dia de sua execução, para se despedir, Valentino escreveu uma carta de amor a ela. Em 14 de fevereiro, o bispo foi executado e essa data foi escolhida para celebrar o Dia dos Namorados em vários países, entre eles, os EUA.

História à parte, as manifestações de amor, que são mais explícitas nessa época do ano, trazem à tona o tema da sexualidade. Durante muito tempo, o assunto foi tratado como tabu e visto apenas como uma forma de reprodução pelas mulheres. Com a revolução feminista, entre as décadas de 70 e 80, e mais acesso à informação, o conceito mudou e hoje é tratado tanto pelo homem quanto pela mulher como forma de prazer.

Esta mudança de conceito fez com que houvesse o surgimento também de vários métodos contraceptivos para permitir uma vida sexual saudável, evitando a gravidez, além de doenças indesejadas, como Aids, HPV, hepatite B e C e sífilis, enfermidades mais comuns no século XXI.

Hoje no mercado, há vários métodos contraceptivos, entre eles o uso da tabelinha, preservativo masculino e feminino, diafragma, anticoncepcionais hormonais, dispositivos intra-uterinos e esterilização cirúrgica.

Não existe um único método contraceptivo adequado a todas as mulheres, pois cada um deles tem vantagens e desvantagens. Principalmente para as mulheres com diabetes, a escolha do método deve ser personalizada, pois, antes de tudo, precisam ter seu controle glicêmico ajustado com o tratamento.

Para falar sobre as características de cada método, o Dr. André de Souza Malho, ginecologista e obstetra do Centro de Diabetes da Escola Paulista de Medicina – Unifesp, comenta os diversos tipos contraceptivos:

 - Tabelinha: Consiste em evitar relações sexuais desprotegidas na ovulação, ou seja, no período fértil, cerca de cinco dias antes e depois do provável dia da ovulação, geralmente ocorre 14 dias antes da próxima menstruação. Esse método não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.

- Métodos de barreira incluem preservativo de látex e diafragma. Os preservativos são os mais utilizados e mais acessíveis à população. Ambos retêm o esperma no ato sexual. Já o diafragma é um dispositivo circular de borracha que é colocado na vagina, associado ao espermicida que impede a passagem do espermatozóide pelo colo uterino. 

- Anticoncepcionais hormonais orais, injetáveis e cutâneos: são hormônios artificiais, semelhantes aos produzidos pela mulher, capazes de impedir a ovulação. Geralmente combinam progesterona e estrogênio. Para as pessoas com diabetes, as pílulas devem ser utilizadas quando houver controle da glicemia. Seu uso pode ser contínuo ou existem aplicações mensais e trimestrais para pessoas que têm facilidade em esquecer a ingestão diária.  

- Dispositivos Intra-Uterinos (DIU): Há dois tipos que incluem ou não o hormônio. O método com cobre provoca um processo inflamatório no endométrio, revestimento da cavidade uterina, impedindo que o ovo, junção do espermatozóide e do óvulo, se fixe no endométrio. Já o DIU com progesterona impede a ovulação. Ambos podem ficar no organismo de cinco a 10 anos. Esses dispositivos não protegem contra as doenças sexualmente transmissíveis.

- Esterilização cirúrgica: são métodos permanentes, realizados por meio de cirurgia. Na mulher, chama-se laqueadura, que consiste em cortar as trompas e interromper a passagem do óvulo e dos espermatozóides. Já nos homens, o procedimento é a vasectomia, que interrompe o canal deferente, duto responsável por armazenar espermatozóide. Por meio desse mecanismo, a ejaculação permanece normal, mas sem os espermatozóides. Esses métodos não protegem contra as doenças sexualmente transmissíveis e são mais sujeitos a falhas.

Dr. André faz alguns alertas com relação aos métodos contraceptivos, “as mulheres que têm diabetes e estão com o descontrole da glicemia podem piorar seus níveis de glicemia, por isso, é essencial que as mulheres façam o controle da glicemia o quanto antes junto com o médico, assim podem utilizar esse método sem resultar em alguma complicação. A nova diretriz foi definida no final do ano passado por uma junta médica da Organização Mundial de Saúde. Os anticoncepcionais orais são compostos de hormônios esteróides que podem piorar o controle das taxas glicêmicas. Se forem feitos os ajustes necessários, as pílulas podem ser utilizadas”.

Mas é bom alertar que mulheres que estão amamentando não podem utilizar a pílula para não prejudicar o bebê devido à quantidade de hormônio. Além disso, Dr. André destaca que “a pílula pode provocar outros problemas de saúde, não relacionados ao diabetes. Assim, é essencial que a pessoa tenha um acompanhamento de um médico para conhecer qual é o melhor método”.

Outro método também utilizado é a pílula do dia seguinte, em que as mulheres que fazem uso dessa técnica ingerem estrógenos e progesterona em altíssima dosagem para impedir a ovulação ou a fixação do ovo no endométrio. Mas, segundo o especialista, esse método deve ser utilizado somente no caso de ter tido uma relação desprotegida, sem fazer o uso do método como uma rotina. Para as mulheres com descontrole da glicemia provoca mais aumento da taxa de açúcar no sangue por dois a três dias e ocasiona efeitos como enjoos, náuseas, entre outros sintomas.

A pílula do dia seguinte não é contra-indicada nas diabéticas. Todas as mulheres devem usá-la quando tiverem relações desprotegidas, mas não podem fazer disto um método anticoncepcional. Ainda mais as diabéticas, que ainda tem o descontrole da glicemia.

Por isso, antes de escolher o método, é necessário que as mulheres (principalmente as com diabetes) conversem com seus ginecologistas e endocrinologistas a fim de que possam prescrever a metodologia correta para se sentirem seguras. É importante ressaltar que o diabetes não impede as pessoas de terem uma vida sexual perfeitamente normal. Se a mulher mantiver a glicemia compensada e, gostar de si própria, pode viver a sexualidade de forma plena, leve e gostosa sem restrição.

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