
Depois de diagnosticado o diabetes, nosso desafio é manter um padrão de vida saudável. Mas não é tão difícil como parece.
Aqui você vai conhecer e se identificar com histórias de quem superou as dificuldades iniciais e hoje tem uma rotina completamente normal. Aproveite para adotar dicas de alimentação e hábitos melhores. Novas descobertas são sempre bem-vindas.
O amor é uma intercomunicação íntima de duas consciências que se respeitam. Cada um tem o outro como sujeito de seu amor. Não se trata de apropriar-se do outro.” Paulo Freire
Ter uma relação amorosa nem sempre é muito fácil. Precisamos ter afinidades, respeito, ceder às diferenças, alinhar nossos pensamentos e desejos. E por falar nesse assunto, as pessoas com diabetes têm o desafio de controlar as taxas glicêmicas para ter relações sexuais saudáveis.
Uma terapêutica que ganha muitos pontos é a utilização dos sistemas de infusão contínua de insulina, que, quando aplicada, apresenta um controle da glicemia mais estreito e resulta em mais flexibilidade para realizar todas as atividades do dia a dia.
Segundo estudo francês publicado no Journal Diabetes & Metabolism, realizado em 2010 com 271 pessoas com diabetes tipo 1 que utilizavam a bomba de insulina, constatou-se que os participantes em geral ficaram muito satisfeitos com o uso do equipamento. 72% dos entrevistados disseram que não tinham dificuldade na relação sexual quando utilizavam a bomba e somente 10% apresentavam algum desconforto com o sistema. O restante não tinham relação sexual e não puderam participar da pesquisa.
Maria Izabel Homem de Mello, coordenadora de projetos especiais da Associação Diabetes Brasil (ADJ), 36 anos, 35 com diabetes tipo 1, usuária do sistema de infusão contínua de insulina desde 2010, comenta como é a utilização do equipamento. “Não retiro a bomba de insulina durante a relação sexual, pois não sinto desconforto. A pessoa precisa se sentir à vontade e, ao mesmo tempo, perceber que o parceiro tem a mesma sensação. Por isso, a/o usuária(o) do sistema precisa ter maturidade suficiente para saber que o equipamento é primordial para a vida da pessoa amada”, relata Izabel.
A endocrinologista Denise Franco conta um pouco mais sobre a utilização do equipamento: “não há regras para o usuário. Na verdade, ele precisa achar a melhor maneira de usar para que a situação fique mais agradável. Tanto faz permanecer com a bomba ou não durante a relação sexual. O mais importante é que não é algo que irá restringir sua utilização”.
Diferentemente da Maria Izabel, Lucy Mie Aihara, fisioterapeuta e educadora física, com 31 anos com diabetes tipo 1, retira o sistema de infusão contínua de insulina antes da relação sexual. “Costumo ficar sem ela durante uma hora e minha glicemia nesse período costuma ficar dentro dos parâmetros normais. Para isso, costumo sempre medir a glicemia antes e depois do ato sexual e fazer as correções quando necessário”.
“Se a bomba for retirada, deverá ser colocada em até duas horas, para evitar o risco de cetoacidose, quando o corpo não tem insulina suficiente para permitir que utilize a glicose como energia. Além disso, é necessário ter alguns cuidados, como pensar que é um tipo de atividade física com gasto calórico. É importante realizar a automonitorização e corrigir com a ingestão de carboidratos quando necessário”, alerta a Dra Denise.
“A utilização do sistema de infusão contínuo de insulina não restringe o paciente, pelo contrário, há melhor controle glicêmico, facilitando a performance e reduzindo o risco de hipoglicemia”, finaliza Dra. Denise.
Dessa forma, a maturidade, o respeito e a comunicação do casal são essenciais para que a relação possa ser vivenciada na sua plenitude, sem riscos!
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