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Comportamento

Depois de diagnosticado o diabetes, nosso desafio é manter um padrão de vida saudável. Mas não é tão difícil como parece.

Aqui você vai conhecer e se identificar com histórias de quem superou as dificuldades iniciais e hoje tem uma rotina completamente normal. Aproveite para adotar dicas de alimentação e hábitos melhores. Novas descobertas são sempre bem-vindas.

Planejamento e cuidados proporcionam asas para todos os voos

Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar.

Leonardo da Vinci

Esta citação do grande gênio Leonardo da Vinci caracteriza uma vontade de boa parte da humanidade. Quem não se lembra da primeira viagem de avião? A sensação de ansiedade, insegurança de entrar em um monstro que sobrevoa diversos territórios e oceanos. E quando já está dentro da aeronave, a percepção das pessoas durante a decolagem e quando o avião atinge certa altura são indescritíveis...olhar de cima e ver todas as casinhas, ruas e luzes tão pequenas, além de diversas nuvens com aparência de algodão doce....

Para que a viagem transcorra de forma tranquila desde o embarque até o retorno, as pessoas com diabetes precisam se planejar com um pouco mais de antencedência, sempre prestando atenção na alimentação, fuso horário, armazenamento de insulinas, entre outros fatores.

Esse é o caso da Gabriela Arantes, com 28 anos, oito anos com diabetes, educadora física, especialista em fisiologia do exercício. “Para viagens internacionais, levo sempre dois kits além de levar a bomba de insulina acoplada ao corpo. Tenho a preocupação em carregar um dos kits na minha mala de mão e o outro na bagagem de mão do meu marido, caso extravie ou alguém roube”.

“Em um dos kits, levo canetas junto com as insulinas rápida e basal, caso tenha algum problema com a bomba. Incluo agulhas, lancetas, monitor de glicemia, tiras. Já na outra necessaire, levo aplicadores de insulina e de cateter, carregador de sensor e reservatório. Inclusive a necessaire é adaptada para ajudar na refrigeração das insulinas”, conta.

A Dra Denise Reis Franco, médica endocrinologista, diretora de educação  da Associação de Diabetes Brasil, acrescenta mais alguns cuidados. “A temperatura das insulinas, quando não estiverem em uso, deve ser mantida entre 2°C e 8ºC. O preparo das insulinas deve respeitar os mesmos cuidados de armazenamento quando se vai tranportar, por isso é necessário colocar as mesmas em um local que não congele. Já os frascos de insulina que estiverem em uso devem ser mantidos em temperaturas abaixo de 30ºC”.

“Tenho a preocupação em levar mais insumos para mais de três meses, pois não sei se os frascos da insulina podem estragar com a pressurização do avião, além de extravio de malas. A Dra Denise inclusive comenta que é exagero, mas acho melhor me precaver. Além disso, levo um atestado médico  e a carteirinha de identificação que relatam que sou uma pessoa com diabetes e que utiliza a bomba e as insulinas, junto com telefones da minha médica”, acrescenta Gabriela.

É importante que o médico faça um atestado em inglês que confirme a presença do diabetes, o tipo de medicação e a necessidade de levá-la na mala de mão. Dra Denise alerta: “esta carta não vale para comprar medicamentos em países estrangeiros. Em casos de necessidade de aquisição dos insumos, será necessário consultar um médico local”.

O planejamento não termina por aí. É necessário também verificar o fuso horário. “É importante adaptar os horários para a aplicação de insulina. O ajuste deve ser feito caso haja diferença de mais de dois fusos horários”, ressalta a médica. Com duas viagens feitas para Amsterdã, na Holanda, e uma para Barcelona, na Espanha, Gabriela tem o hábito, após o embarque, de programar a bomba no horário do destino para facilitar a adaptação.

Outra recomendação importante é levar na bagagem de mão também sachês de açúcar no caso de hipoglicemia, acrescidos de barras de cereais e bananinhas com açúcar. Outra sugestão é pesquisar na internet quais são os pratos locais para que saiba a quantidade de carboidrato quando experimentar, assim o controle glicêmico estará mais afinado.

Agora se a pessoa com diabetes realizar viagens de carro, Dra Denise faz sugestões específicas. “Antes de assumir o volante, verifique a glicemia. Caso a taxa de açúcar esteja abaixo de 40mg/dl, é preciso ingerir 30g de carboidrato e repetir o teste de glicemia para confirmar que o índice glicêmico está normal. Se houver a constatação que a taxa esteja cerca de 70 mg/dl, é necessário consumir 15g de carboidrato, o equivalente a três balas de caramelo ou um copo de refrigerante normal, embora não esteja em hipoglicemia, mas é necessário para evitar uma situação de hipoglicemia no meio do trajeto”.

Em viagens mais longas, é necessário monitorar a glicemia durante o percurso. Grabriela comenta que está acostumada a medir enquanto dirige. Mas a Dra Denise alerta que é melhor realizar as paradas sem colocar em risco a vida das pessoas. Independentemente da viagem, é aconselhável sempre levar barrinhas de cereais, sachês de glicose, frutas secas ou castanhas para prevenir uma possível hipoglicemia.

Grabriela deixa uma mensagem. “As pessoas com diabetes podem viajar sem medo, mas com responsabilidade e disciplina para dar tudo certo. O diabetes não limita em nada o que faço, e as pessoas precisam ter consciência disso tanto para viajarem como para viverem”.

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